Em uma pré-candidatura ou mesmo candidatura, sem os resultados de uma pesquisa pelo menos quantitativa, com amostragem probabilística estratificada proporcional, com sorteio sucessivo de ruas, domicílios e moradores com idade superior ou igual a 16 anos, o planejamento torna-se mentiroso na maioria das vezes e suas estratégias não terão o efeito desejado entre a população alvo.
É inacreditável que inúmeros políticos ainda descartem a pesquisa como forma de orientá-los para uma futura candidatura e até mesmo para avaliação do seu mandato.
Então, como planejar a partir dos dados que a pesquisa apresenta? A primeira pergunta da pesquisa em questão pode ser:
1)Em relação à administração do atual prefeito ou, do atual governador, você me diria que considera uma administração ótima, boa, regular, ruim ou péssima?
Suponha-se que, de uma forma geral, em um município de 70 mil eleitores, incluindo sexo, idade, escolaridade e renda, 10% disseram ótima, 35% boa, 25% regular, 15% ruim e 15% péssima. Com esses dados, as alternativas de interpretação são várias, incluindo aprovação e rejeição da atual administração. Se a soma de ruim e péssima chega a 30%, isso representa 21 mil eleitores. Sem esquecer a opinião dos 25% que acham que está regular, representando 17 mil e quinhentos eleitores. Destes eleitores com opinião regulares, não há como afirmar que estão perdidos, porque podem passar a ter uma opinião favorável ou desfavorável.
Nesse caso, na elaboração do planejamento, poderia ser elaborado no próprio planejamento em um dos objetivos assim: Fazer uma pesquisa qualitativa (de grupo) entre os eleitores de opinião regular e ruim para descobrir o que desejam que o prefeito faça em primeiro lugar.
Data para os resultados é até o mês de março de 2011. Após os resultados dos desejos e anseios dos eleitores em mãos, alcançar a meta de convencer pelo menos 60% (16.800 eleitores) para que mudem de opinião e passem a considerar a atual administração no mínimo boa, até setembro de 2011. A fórmula de convencimento dos eleitores vai depender de como será administrada às ações do planejamento e de comunicação, incluindo quem é o mais indicado para tal, se os cabos eleitorais estão cooperando com um discurso coerente e eficaz, se o próprio candidato coopera com o estrategista etc.
A opinião das pessoas está em constante mudança. Contudo, a opinião de quem disse que a atual administração é boa pode mudar para ruim e péssima, ou vice-versa. Entre as pessoas que opinaram que a administração está ótima, boa e regular, descobrir que motivos de rejeição as levariam a mudar de opinião para ruim e péssima seria estratégico para a oposição. E, no caso do prefeito (situação), manter os 10% com opinião ótima e fazer com que os 35% com opinião boa, passem a opinar ótima, é bem menos complicado. É muito mais fácil manter um eleitor satisfeito do que conquistar novos eleitores.
Suponha-se que a pesquisa descubra entre os eleitores com opinião regular e boa o motivo que os levaria a mudar de opinião para ruim e péssimo. Esse motivo seria o envolvimento do prefeito em corrupção. Neste caso, na elaboração do planejamento para a prefeitura, poderia ser elaborado em um dos objetivos assim: Contratar uma auditoria para investigar todas as contas das secretarias, repasses de verbas federais e estaduais ao município e contratos de licitação, até novembro de 2011. Se o prefeito ou, o governador forem rápidos com essa estratégia e comunicá-la aos eleitores, vai conseguir neutralizar uma ação futura da oposição e vai manter a fidelidade de seus eleitores por um bom tempo. Desta forma, o número de pessoas que achou regular pode mudar para a opinião boa e, de quem achou boa, para ótima. O que seria excelente para as suas imagens.
A interpretação para a pergunta em questão ainda não acabou, porque há como dividi-la em relatórios por sexo, faixa etária, renda e escolaridade. Daí percebe-se o quanto a interpretação da pesquisa é necessária para o planejamento em quaisquer áreas. Resultados de uma pesquisa geralmente são imprevisíveis e surpreendem até os profissionais. Nunca subestime os resultados de uma pesquisa e tão pouco, deixe de contratá-la. Boa sorte!
Obs: Lembrando que estas estratégias fazem parte de um grande contexto e que elas não se limitam somente ao que foi citado. Se você gostou, por favor, repasse para um amigo candidato.
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