Em uma jogada estratégica de marketing político bem pensada, típica de uma corrida presidencial, Dilma Rousseff contra-ataca dizendo: “É preconceito contra a mulher. Eu posso ir para a cozinha, cozinhar os projetos. Agora, na hora de servir, não posso nem ver?”, de acordo com estadao.com.br, matéria do dia 26 de outubro de 2009, Clarissa Oliveira, da Agência Estado. Dilma convoca, subliminarmente, as mulheres, por meio de uma mensagem, cujo conteúdo revela que a oposição de Lula estaria cometendo pré-conceito contra muitas mulheres, das executivas às donas de casa. Pela maneira como suas palavras estão sendo colocadas, não há dúvidas de que ela está sendo assessorada para isso, como para criar uma alternativa, um caminho para subir nas pesquisas. Seu meio de utilização da linguagem faz lembrar a estratégia utilizada pelo Presidente Lula em muitos discursos, em que ele utiliza quase sempre expressões metafóricas estrategicamente, compreensíveis pelas classes D e E. A forma como o Lula está falando, talvez possa estar desencadeando uma série de novos políticos que pleiteiam cargos no executivo e no legislativo e será muitas vezes sugerida por especialistas, mas nunca foi novidade para quem entende do assunto. De fato, um dos principais objetivos do marketing político é fazer através do discurso, com que o povo entenda o que é falado pelo candidato, com base no que o próprio povo deseja e anseia das políticas públicas para se beneficiar. Como exemplo de bom uso de metáforas e frases improvisadas, podem-se citar expressões do próprio presidente Lula, extraídas do site da UOL,
http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=10945, autor desconhecido. No site há várias citações. Numa delas, Lula, ao tentar explicar aos críticos da política de juros do Banco Central, disse: “Sempre que chegamos às vésperas da reunião do Copom, tem gente que entra numa espécie de TPC, tensão pré-Copom”. Um outro exemplo: no começo do ano de 2009, Lula empregou a palavra “marolinha” para demonstrar que a crise mundial seria passageira para a economia do Brasil. Não cabe aqui discutirmos se a crise foi ou não passageira, contudo, o que importa nesta análise é o jeito como ele consegue cativar o seu eleitorado pelo seu próprio modo de falar.
Falar como ela fala, de improviso, pode estar se tornando uma alternativa estratégica para muitos especialistas em marketing político. Mas então, que nome poderia apelidar essa linguagem metafórica? Bem, nosso idioma é o português e o jeito de falar do Presidente Lula, talvez os especialistas em marketing político pudessem nomeá-lo nos bastidores políticos, na verdade, entre eles como: “Lulaguês”. Este neologismo seria para definir em poucas palavras o que o candidato na hora de discursar, poderia utilizar. Como exemplo, num debate televisivo ao sentir que o candidato estaria falando difícil e, de longe, o especialista dissesse baixinho, “use o Lulaguês...”. Não se trata aqui de ironizar e criticar o modo de falar que a Dilma usou e o que o Presidente Lula usa sempre, mas de analisar e dar dicas de uma estratégia que vale a pena levá-la em consideração, que já está sendo adotada pela pré-candidata Ministra Dilma que, por natureza, não possui a simpatia que Lula tem, mas poderá daqui por diante tentar o caminho das figuras de linguagem, ou seja, do Lulaguês.
Além do mais, Dilma será apoiada pelo político que sabe explorar o uso da figura de linguagem tão bem, que conseguiu bater seu próprio recorde de aprovação, com 84%, no dia 3 de fevereiro de 2009, (fonte: Folha OnLine). Como Presidente da República talvez se torne um dos homens mais lembrados por tal aprovação e por utilizar-se da figura de linguagem, transformando-a numa ferramenta capaz de obter a admiração e aprovação do seu eleitorado. Ela também terá Ben Self ao seu lado, proprietário da Blue State Digital, que desenvolveu a estratégia de campanha presidencial de Barack Obama pela Internet, além do especialista em marketing político, João Santana. Pelo jeito, a Ministra Dilma está aprendendo não somente com o Lula, mas seguindo instruções de sua assessoria de marketing político para tentar aumentar seus índices percentuais como pré-candidata e, acima de tudo, contar com a ajuda do governo para investir em muitos recursos técnicos e financeiros na sua preparação como pré-candidata.
* Sullyvan Andrade é publicitário, especialista em marketing político e propaganda eleitoral pela ECA/USP e diretor da Marketing Pólis