A Reforma Eleitoral aqui no Brasil (vide
www.marketingpolis.com.br), está despertando uma “onda” pelo uso da Web como estratégia base para as próximas campanhas eleitorais. Como se não bastasse tudo que foi usado na campanha de Barack Obama por Ben Self, proprietário da Blue State Digital (empresa que cuidou da estratégia de Barack Obama pela Internet e o ajudou a arrecadar um valor aproximado de US$ 500 milhões), agora podem-se usar como base alguns exemplos da eleição Afegã. O Afeganistão talvez esteja se tornando um exemplo de como se usa as tecnologias para fazer denúncias, mostrando-nos como fazer denúncias de abusos, como os praticados pelo Taleban ou outros grupos radicais que pensavam ou pensam que podem fraudar de alguma forma o resultado das eleições no Afeganistão. De acordo com a matéria extraída, “Eleição afegã é monitorada por celular e e-mail”, do estadao.com.br, 09 de setembro de 2009, por Mariana Della Barba:
“O Taleban está bloqueando a votação em Charikar”, “nenhuma mulher está votando no colégio feminino de Kandahar”, “ninguém está explicando para os eleitores como votar em Mazar-e-Sharif”. Quem tentou fraudar a votação no Afeganistão, em 20 de agosto, correu o risco de ser flagrado por um dedo-duro: um cidadão munido de celular ou computador. Por SMS, e-mail ou Twitter, os eleitores podiam e ainda podem enviar denúncias para o site do Alive in Afghanistan (aliveinafghanistan.org), que ajuda a monitorar a eleição e a apuração”.
Se essa moda pega aqui no Brasil, com sites do perfil do Alive em parceria com o TSE e/ou com uma Comissão Eleitoral, teremos inúmeros candidatos desmascarados pelos próprios eleitores e, com a ajuda de pessoas apartidárias, utilizando mais do que nunca celulares, e-mails, twitter, sites de Streaming, Bluetooth etc. Todos os dados poderiam ser reunidos em um mapa interativo, que detalharia onde cada incidente ocorreu, a exemplo no Afeganistão. O site do Alive recebia muitas fotos e vídeos de flagrantes de abusos do Taleban e outros abusos e, com isso, aumentava-se a sua credibilidade. Daí, uma sugestão para a nossa democracia, incluir sites como o Alive na Reforma Eleitoral brasileira, que para oficializar as denúncias de compras de votos e abusos, bastaria o envio de fotos e vídeos com flagrantes para o site.
O monitoramento feito nas eleições pelos fiscais eleitorais nas eleições brasileiras muitas vezes não é eficaz e talvez não seja novidade. No entanto, nas eleições, uma das provas mais difíceis na compra de voto é ter fotos e vídeos de flagrantes como dinheiro sendo distribuído, materiais de construção e cervejas. Por um outro lado, uma estratégia contrária a essas ações, porém, parecida, poderia ser a troca de um saco de cimento, nota de vinte reais e cervejas, por um vídeo ou foto de um bom flagrante do candidato. Ainda na matéria de Mariana Della Barba do estadão.com.br, foi dado um outro exemplo que serviu de base inspiradora a estratégia anterior citada, para complementar de forma eficaz e inovadora, os meios para se adquirirem flagrantes de compra de votos que foram utilizados no Afeganistão:
“Relatos de estrangeiros também são bem-vindos, especialmente porque muitos são monitores da eleição. Em Jalalabad, cidade do Afeganistão, o pessoal do site incentivou os gringos e criou o Data For Beer, no qual você vai até o único bar local, acessa a internet para enviar algum dado interessante e, em troca, sai com uma cerveja.”
A exemplo do site Alive e o bar Data For Beer, parece que a Reforma Eleitoral, que visa a utilização das novas tecnologias da Web, poderá ficar ainda mais interessante, tanto para políticos, bem como para os eleitores. Se a cada denúncia com fotos e vídeos forem trocadas por uma nota de vinte reais, um saco de cimento ou uma cerveja, talvez o site como o Alive, se oficializado aqui no Brasil, teria em um só dia, milhares de flagras no dia das eleições. Com a tecnologia da Web a disposição, tornam-se cada vez mais rápida e multiplicadora (características da Web 2.0) não só a possibilidade de vencer uma eleição com propaganda política na internet, mas também, denunciar atos corruptos no Brasil.
* Sullyvan Andrade é publicitário, especialista em marketing político e propaganda eleitoral pela Universidade de São Paulo (USP).As ideias e opiniões aqui expostas são de responsabilidade de seus autores. O portal Vitrine Publicitária não se responsabiliza pelos dados e/ou ponto de vista aqui expostos.